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Computação quântica: onde estamos de verdade em 2026

Computação quântica oscila entre duas narrativas erradas: "vai quebrar toda criptografia amanhã" e "é só marketing, não serve pra nada". A realidade é mais estreita e mais interessante.

O que ela faz bem, e só ela faz

Computadores quânticos não são "computadores clássicos mais rápidos" de forma geral — pra maioria das tarefas do dia a dia (planilha, banco de dados, jogo) eles não têm vantagem nenhuma. A vantagem real aparece em uma classe específica de problema: simulação de sistemas quânticos (química, materiais) e certos problemas de otimização e fatoração que crescem exponencialmente em complexidade em computadores clássicos.

O estado real do hardware

Os processadores quânticos atuais operam na faixa de centenas de qubits físicos, mas a métrica que importa é qubits lógicos (corrigidos de erro) — e esse número ainda é baixo, porque cada qubit lógico confiável exige múltiplos qubits físicos de correção de erro. "Temos 1000 qubits" é uma manchete diferente de "temos 1000 qubits lógicos estáveis" — e ainda estamos longe do segundo.

O que isso significa pra criptografia

Sim, existe um algoritmo teórico (Shor) que quebraria criptografia RSA atual num computador quântico grande o suficiente. Não, isso não está disponível hoje nem em horizonte de poucos anos — exigiria uma escala de qubits lógicos que ainda não existe. Órgãos de padronização já estão migrando pra criptografia pós-quântica de forma preventiva, o que é a resposta correta e proporcional ao risco (não pânico, não negação).

A pergunta certa antes de investir tempo no assunto

Não é "computação quântica vai substituir a clássica" — não vai, pra maioria dos casos. É "meu problema é da classe que se beneficia de vantagem quântica real". Pra 99% dos devs, a resposta é não, e está tudo bem.