Matéria escura: o que sustenta essa hipótese
Matéria escura soa como nome de ficção científica, mas é uma das hipóteses mais bem sustentadas em astrofísica — e ainda assim nunca foi detectada diretamente.
O problema que ela resolve
Galáxias giram rápido demais. Baseado só na massa visível (estrelas, gás, poeira), a gravidade não seria suficiente pra manter as estrelas das bordas de uma galáxia em órbita — elas deveriam ser lançadas pra fora. Mas isso não acontece. A explicação dominante: existe massa adicional, que não emite nem absorve luz, cuja gravidade mantém tudo coeso.
Não é só uma correção de curva
Se fosse só uma anomalia isolada, matéria escura seria hipótese frágil. O que a sustenta é convergência de evidências independentes: lentes gravitacionais (luz de objetos distantes se curvando mais do que a massa visível explicaria), a distribuição de radiação cósmica de fundo, e simulações de formação de estrutura do universo que só reproduzem o padrão observado de galáxias quando matéria escura é incluída no modelo.
O que ainda não sabemos
O que ela é, de fato. As principais hipóteses candidatas (WIMPs, áxions, entre outras partículas teóricas) ainda não foram detectadas em nenhum experimento, apesar de décadas de busca em detectores subterrâneos e aceleradores de partículas. É uma situação rara na ciência: evidência indireta muito forte de que algo existe, sem confirmação direta do que esse algo é.
Por que "ainda não sabemos o que é" não invalida a hipótese
Existe uma hipótese alternativa (MOND, que propõe modificar as leis da gravidade em vez de adicionar massa invisível) que explica parte das observações, mas não todas com a mesma consistência. Na ciência, a hipótese que melhor explica o conjunto total de evidências prevalece — mesmo sendo incompleta — até que uma explicação melhor apareça.